quinta-feira, maio 03, 2007

E agora... algo completamente diferente.

Ontem assistiu-se ao debate frente a frente nas Presidenciais francesas.

Antes de mais, em termos de formato televisivo, o modelo empregue (dois moderadores, escolha de temas, tempo contado ao jeito de xadrez e prorrogação temporal, se necessário fosse, com ampla difusão em quaisquer canais televisivos) foi positivo, agradável e permissivo ao debate de ideias.
Também resulta um elogio para a Cnn, a qual promoveu a melhor cobertura internacional do evento, superando até o francófono France 24.

Quanto aos temas, estes fizeram-me lembrar que as preocupações dos portugueses não estão assim tão afastadas das dos demais europeus - sendo certo que existe ainda assim vários nichos próprios a cada sociedade.
Mas vai daqui a relevância e o interesse no resultado destas presidenciais:
como é comumente (ou commumente) sabido, há muito que a Europa reclama pelo motor franco-alemão, para além de a França pertencer ao G8 e, como membro permanente, faz parte do Conselho de Segurança da Onu. Aqui, basta lembrar o não Chirac à invasão do Iraque, e ali basta ter presente a afectação dos subsídios europeus, o alargamento da Europa, etc.


Deu para perceber que existem duas formas de ser distintas e, neste momento, aptas a habitar o Eliseu.

O debate trouxe algumas surpresas quanto à maneira de estar na TV:
- Sárko surpreendeu pela sua calma, elegância, tom ponderado e até paternal, e
- Ségo surpreendeu pela sua agressividade, pelo confrontação directa, pela melhora na sua preparação dos temas e até pelo improviso demonstrado.

Estranhei o facto de Sárko, aquando da declaração final, não a ter dirigido directamente para as câmaras; de outra banda, estranhei a circunstância de Ségo não ter explorado a maior debilidade de Sárko, o seu período enquanto Ministro.

De qualquer maneira, foi um debate interessante, com cerca de duas horas e meia, onde foi possível assistir à política num ponto muito apurado.